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sexta-feira, 9 de março de 2012

Incorporando...

Ando sentindo isso...Uma força se apoderando de mim. Um negócio mexendo com minha energia, meus chakras. Papo esotérico...

Parece que algo se apodera de mim...Orixás? Incorporação? Sei lá...

As pessoas não acreditam, mas eu sou uma pessoa tímida. É sério. Há muitos anos treino pra disfarçar belamente. Parece que consigo. Mas só eu e Deus sabemos o que acontece com meu coração, meus intestinos e minhas pernas nos 15 (sim, 15!!!) primeiros minutos em cima do palco. Aí depois...vai dando uma relaxada...e algo vai se aproximando, se apoderando de mim. Em geral, não deixo. Penso no diafragma, penso naquela nota aguda que está por vir...e controlo as coisas.

Às veeeeeeeezes deixo. Uma coisa maior que eu tomar conta de tudo. É nesses dias, nessas horas, que não quero nem saber se a corda do guitarrista quebrou, se o público achou que desafinei, se algum crítico achou minha roupa inadequada. Nesses dias, quando esse "algo estranho" se apodera de mim, sinto que "guigou", como a gente fala. Que algo misterioso rolou ali. Que aquele momento foi "irrepetível". E aí não fui eu que fiz o show sozinha, exatamente. Foi uma "força estranha". E todo a dificuldade para estar ali parece que vale a pena.

E esses dias...não sei explicar como nem porquê, essa "força" tem vindo com mais força, mais frequência, mais nitidez. Antes era só em shows especialíssimos. Depois em todos os shows, pelo menos um pouquinho. E agora...é em show, ensaio, até estudando sozinha, ela vem. É um negócio que me arrebata que já nem sei se sou branca ou preta, brasileira ou gringa, se ando ou voo, se estou com fome ou se tenho conta pra pagar. Já nem sei se sou gente, instrumento, pássaro ou pedra. É um negócio que eu fecho os olhos e sinto que sou o mundo inteiro, que eu e todo mundo somos uma coisa só, que eu falo a língua dos instrumentos e que o sentimento vem com tanta força, que quase não seguro as pernas, as lágrimas, os gritos, o coração.

Acho que, quando eu deixar isso tomar completamente conta de mim, das duas uma: ou enlouqueço (de vez) ou viro artista (de verdade).


Por isso uma força me leva a cantar,

por isso essa força estranha no ar.

Por isso é que eu canto, não posso parar.


Por isso essa voz tamanha

(Força estranha, Caetano Veloso)

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