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domingo, 25 de março de 2012

Junto

Eu gosto de ouvir bons solos, admiro instrumentistas solistas. Estou montando um trabalho solo. Gosto de pisar no solo e de dançar solo. Mas...o que eu gosto mesmo é de fazer as coisas em GRUPO.

Por mais solo que tudo seja, a graça mesmo, na minha opinião, está em compartilhar, dividir. Por mais solista que se seja, é preciso alguém na platéia pra ouvir aquilo, senão não tem graça. Músico que quer tocar pra ninguém, não é músico. Ninguém venha me dizer que não está nem aí pro reconhecimento. Pelo menos a sua mãe ou a sua mulher, você quer que goste do seu trabalho.

Tenho construído minha vida, minha carreira, acreditando nos coletivos. Apostando nisso. Foi o Movimento Hip Hop que me ensinou, que juntos somos mais fortes. Que juntos podemos (quase) qualquer coisa. Essa lição eu aprendi pra valer.

E adoro quando me chamam pra fazer participação especial nos shows dos amigos. Tá, não vou ganhar nada, mas quero estar ali, quero fazer parte - isso lá é não ganhar nada? É ganhar tudo! Dei um grito lá no corredor da escola: "Galera, me chamem pra qualquer coisa, qualquer gig, qualquer disciplina, ensaio, gravação - tô colada em vocês pra tudo." E é isso mesmo. Não é que quero me aparecer. (Talvez um pouco, hihihi.) Mas é que realmente acredito nisso. Na parceria. Em dar o braço. Em colar junto. Em gruvar (ou groovar, sabe lá).

E quero muito construir meu trabalho solo assim. Como assim trabalho solo em grupo? Pois é. É só assim que presta, é só assim que tem graça. Tenho conseguido juntar uma galera massa, um povo lindo, ao redor do meu sonho. E vou vendo que ele já nem é mais meu, quando um chega e fala: "...porque o nosso projeto". É isso mesmo. Bem piegas, mas totalmente verdadeiro:

Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha junto, é realidade.

E nem estou falando só de quem vai tocar comigo. Estou falando de quem está produzindo comigo e até de "bandas-amigas", como eu falo, grupos amigos, que tocam junto, que apóiam, que incentivam, que torcem, que perguntam. De modo que se um dia eu ganhar um Grammy, um Troféu Imprensa, um Braskem ou o Prêmio Tampinha de Ouro da Barraca do Seu Zé, acho que só vou chorar, porque não vou ter palavras nem tempo pra agradecer a tanta e tanta e tanta gente. E se eu não ganhar nada, velho...po, EU JÁ GANHEI TUDO, na moral...

Que bom estar (tão bem) acompanhada.

Obrigada, Deus!

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