Andei doente, as bandas se reorganizando, outras se desfazendo (risos). O que eu ando fazendo esses tempos, gente, é, além de ter umas crises de identidade musical (uau, uau), ensaiando para fazer umas gravações.
Bem, as crises vão e vem, sabem? Levante a mão aí o músico que nunca pensou em jogar tudo pra cima e fazer outra coisa ou o profissional de outra coisa que nunca pensou em jogar tudo pra cima e ser músico. (risos) Então eu fico também nessas viagens, não exatamente pensando em desistir, mas procurando um "quem sou eu" mesmo.
Essa coisa da identidade musical talvez seja algo natural e automático para alguns, mas pra maioria de nós não é. Tem uma mistura do que você gosta de tocar, com o que você foi educado pra ouvir, com as oportunidades profissionais que aparecem, com o que seus amigos dizem que é legal, enfim...uma série de coisas que vão formando o que você é, o que pensa, o que te toca. Então hoje vai ser uma mistura de confissão e de listinha, porque pensei em mostrar pra vocês algumas das (muitas) músicas que marcaram definitivamente minha caminhada musical.
A primeira de todas: O Estrangeiro, de Caetano Veloso.
Eu tinha 08 anos quando vi esse disquinho colorido na casa de meu pai, que é violonista de ouvido fantástico (que eu preferia mil vezes ter herdado do que esse nariz, ai!).
Pensei que era um disco "de criança" e botei pra ouvir. E quando começou a tocar a primeira música, eu fiquei...paralisada. Ouçam!
Foi a primeira "música de adulto" que eu tenho lembrança de ter ouvido. Por causa da Xuxa e do Balão Mágico eu queria ser cantora (huahuahua). Mas quando ouvi isso, pensei: "Meu Deus...então eu posso cantar sobre o que eu quiser?" HIhih. Passei as férias todas devorando esse disco. Claro que, aos oito anos, não sabia bem o que eu gostava tanto nele, mas era maravilhoso! Talvez por isso, como eu contei a vocês outro dia, eu ame Caetano até hoje (mesmo com tudo, hihi).
Vou colocar em segundo lugar essa aqui: Jesus Alegria dos Homens, de Bach.
Essa música foi uma das primeiras que aprendi a tocar no piano, aos 10 anos (versão facilitada, ops). Foi quando soube de muitas coisas: que eu poderia tocar músicas conhecidas; que as pessoas podiam ouvir coisas que gostavam; que havia música sem letra, sem voz; e como era delicioso ENTENDER de música. :)
Ai, ai...
Aos 14 anos me falaram de uma tal banda chamada Legião Urbana. Meus amigos também começavam a trocar os vinis pelos cds. Foi então que eu consegui comprar meu primeiro cd, que foi esse aqui:
E ouvindo Perfeição, descobri que eu também podia falar de política, dos problemas brasileiros e de tudo que me incomodava, de um jeito interessante. E também conheci o rock'n roll.
Então com 15 anos eu já estava decidida: queria fazer isso mesmo da minha vida pra sempre. E aí comecei a estudar num conservatório e cantei essa música aqui com um coral. Foi a primeira vez que vi uma regente, que dividi vozes, que vi um arranjo ser montado, que estudei técnica vocal.
Chuva de Prata, aqui com Gal Costa.
Por último, vou colocar Canto de Ossanha, de Baden Powell. Foi uma das músicas que estudei pouco antes do vestibular, por volta dos 25 anos. Foi quando me aprofundei um pouco mais na harmonia da música brasileira, a técnica vocal popular, ritmos afro-brasileiros e técnica popular de piano. Linda!
Bom, gente, ficamos por aqui hoje. Tem tantas e tantas músicas mais! Nem falei da música estado-unidense, do rap, do samba reggae, do movimento negro, da soul music, do jazz, da música orquestral, de Tom Jobim...ufa, muita coisa. Fiquem com esse gostinho aí.
Beijos!


2 comentários:
WOW!
Quem é vivo, aparece! rs
Post muito interessante. A minha "trajetória" como ouvinte foi bem parecida em alguns pontos.
Porém, nada e nenhum destes fatores teve a ver com o meu interesse em instrumentos e na 'arte' de tentar fazer alguma coisa na música. Enfim. Foi bem "casual", por curiosidade, eu diria. A música como música mesmo só veio bem mais tarde, por razões sobrenaturais, eu acho.
Mas, voltando ao histórico de "influências", digamos...
Também curti xuxa e balão mágico na infância, mas, ao mesmo tempo, curtia os sons que saiam do pickup de meus pais...
Pelo lado paterno, muito Jazz, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Pepeu Gomes e A Cor do som. Esses aí são os que estão mais fortes nas lembranças e no subconsciente.
Pelo lado materno, Lulu Santos, Gal Costa, Baby Consuelo, Biafra (kkkkk) e outras coisas mais POP´s, digamos. rss
Já aos 12, por influência dos novos amigos, conheci o rock e vivi essa fase por uns 10 anos na vida... Daí, cito Guns, Nirvana, Legião (essencialmente), Engenheiros e muitos outros.
Inusitadamente, nessa época comecei a tocar teclado, volto a dizer, por mera curiosidade. Foi quando então surgiam aquelas idéias de juntar com outros guris pra fazer barulho nos zouvido do povo e ter a cara-de-pau de chamar aquilo de banda.
A parte mais interessante disso tudo era ter amigos que curtiam de tudo. Na verdade, cada um curtia uma coisa diferente, e eu é que acabava assimilando e tocando com todos. Ou seja: com 1 deles eu tocava MPB, com outro tocava Rock nacional, com outro tocava pagode (SPC, é o tcham), com outro tocava AXÉ (Asa, Chiclete, Timbalada, Daniela, etc), e com outro tocava Rock antigo (rolling stones, Beatles, etc).
Boa fase. Eu era feliz e não sabia. rss
Na verdade, isso acontecia porque, como dito, eu tocava teclado e usava aqueles rítmos com acompanhamentos, etc... Era bem interessante, porque eu era o mais versátil da turma. rss
Até hoje costumo dizer que "caí na música de paraquedas". Não sei se por bem ou por mal, ainda resisto como posso e já tive também muitas dessas "crises" de personalidade que você bem citou. rss
Pois é. Cada um com suas histórias e estórias. rss
Bjs e vê se não some!!!
:)
Esqueci de mencionar um detalhe:
Tudo isso se passou em Itapuã, e, claro, tem muito mais... rs
Postar um comentário