O Trio Elf se constitui por piano, contrabaixo e bateria. Eles são da Alemanha e estiveram aqui em Salvador semana passada. Deram um workshop lá na Escola e um show na Livraria Cultura. Eles tocam uma música que é uma mistura livremente inspirada de house, jazz, soul, trip hop e música erudita. Como as misturas me interessam, achei fantástico!
Notei algo interessante que logo também foi apontado por um colega percussionista. Como era incrível que o baterista (esse logo na frente, aí na foto, Gerwin Eisenhauer) conseguisse, ao mesmo tempo, manter o padrão rítmico e solar. Puxa, se já é difícil fazer solos interessantes de bateria, imagine quando não existe nenhum outro instrumento percussivo segurando o ritmo (sem entrar no mérito de que o contrabaixo também é percussivo, vocês entenderam o que estou querendo dizer). Então meu colega perguntou como ele fazia isso. E a resposta do baterista foi uma verdadeira aula, mesmo pra mim, que não sou percussionista. Posso traduzir sua fala em lições para alcançar a excelência. (Que talvez sirva mais do que eu imagino, não apenas para a música, mas para qualquer atividade profissional. Bem, já estou viajando...) Vejamos:
Ele disse que, é claro, precisava de muito estudo. Disciplina. Disse que é IMPRESCINDÍVEL pra nós, músicos, estudarmos TODOS OS DIAS. Não importa quanto tempo tenhamos pra isso. Claro que, quanto mais horas, melhor, óbvio, mas se só tenho minutos, não devo achar que é desimportante ou que não vai adiantar nada. Estudar todos os dias, foi a lição número um.
Número dois: estudar de muitas formas diferentes. Na bateria foi simples pra ele mostrar como tocar um ritmo reto de 4/4 de várias maneiras, usando cada instrumento da bateria, dinâmicas, timbres, etc. Mas também dá pra fazer isso na voz! Quando eu fico passando uma mesma música mais de mil vezes, o povo diz que estou louca. "Você não já sabe a música?" Bah! (risos) Cada vez que eu canto, treino uma coisa diferente. Respiro de formas diferentes, dou intensidade a novas palavras, coloco a voz em outros locais de ressonância, afrouxo ou tensiono a laringe, deixo mais seguro ou mais frouxo o abdomén. "Você pensa mesmo em tudo isso?", minha colega me perguntou uma vez. Bem...penso! Hihihi, penso sim. Estou estudando! Então, na verdade, o que o Gerwin me disse foi...que não estou louca! (risos) Estudar é isso mesmo. Claro que hora do show é hora do show, não penso em nada. Mas estudando...é preciso experimentar!
O que leva ao terceiro ponto: estudar deve ser algo divertido. Como baterista é claro que ele precisava estudar muito com metrônomo. E aquilo irritava bastante ele. Então ele começou a colocar batidas de djs. Tentava copiá-las e, quando conseguia, improvisava em cima delas. Puxa, que legal! É isso também. Estudar deve ser algo divertido e interessante. No meu caso, de canto, acho importante ouvir diferentes cantores, de diferentes épocas, observar sua articulação, sua respiração - ver como são diferentes - e depois achar meu próprio jeito. É uma pesquisa mesmo - e é delicioso fazê-la!
Por último, ele falou, como não podia deixar de ser, em estudarmos improvisação. O jazz, em especial, levou isso mais adiante, mais didaticamente, mas é preciso que a gente compreenda pra onde a música vai de modo geral, os caminhos harmônicos e rítmicos. Bacana, especialmente vindo da boca de um baterista, que a gente tem a ilusão de que não precisa se preocupar com nada disso. Sim, ele precisa! Todos os músicos precisamos.
Para o alto e avante!

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