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sábado, 6 de abril de 2013

Neojibá


Quinta-feira passada fui assistir um ensaio aberto da Neojibá. (Pra quem gosta, procure saber os horários, porque rolam vários da OSBA, do Ballet do TCA, da Neojibá, enfim, de todos os corpos fixos do teatro. Programa bacana, gratuito e de boa qualidade para uma tarde.) Eles estão gravando o dvd deles (!) e 5a foi um dos últimos ensaios. Teve a participação de um violinista (que infelizmente não consegui ouvir o nome), Ricardo Castro e César Camargo Mariano, ambos pianistas. E foi lindo.

(César Camargo de chapéu Panamá; Ricardo Castro de camiseta branca, conversando com o jovem maestro de vermelho e o violinista atrás, explicando alguma coisa pro 1o violinista da Orquestra)

Teve as chatices de qualquer ensaio, é claro, volta, repete, mas...foi muito bom estar ali, mesmo nessas horas. Como o próprio César Camargo, falou: "Vocês são um barril de cachaça: cada vez melhores." (sorriso)

O projeto Neojibá é uma coisa muito bacana, de formação musical, música para os jovens, etc. Mas não é pelo argumento simplista "oh, eles podiam estar se drogando e estão aí fazendo música, que coisa linda". (risos) Iniciativas como essa já existem há 40 anos na Venezuela. E é fantástico porque a música é capaz de mudar a vida de qualquer pessoa, jovem ou velha. É capaz de mudar qualquer grupo ou sociedade. Um aluno me perguntou: "quais são as vantagens de se estudar música?", ao que eu respondi: "Vou ficar a tarde inteira aqui te respondendo." 

Posso falar de coisas cognitivas: desenvolvimento da atenção, da coordenação motora fina, das sinapses neuronais, de partes cerebrais que o raciocínio cartesiano não dá conta, etc. Posso falar de coisas mais subjetivas: disciplina, meta, foco, esforço, superação, auto-estima, contato com emoções. Posso falar de habilidades sociais: amizade, união, cooperação, compaixão (sim!), paciência, sentimento de grupo. E até de nuances sociais: espírito de coletividade, sentimento de pertença, coesão, força grupal, mudança na profissionalização e vias de poder econômico. Estudar música faz bem a qualquer um, ainda que não vá ser músico profisisonal, ainda que "já tenha passado da idade" pra isso ou aquilo (bah!).

Ver aqueles meninos, senhores, meninas, mães, gringos, produtores, holdings, trabalhadores - todos tocando e/ou assistindo música - ver os músicos e a platéia - me fez pensar no que eu acho forte e poderoso do fazer musical. A música é aquele instante. Aquele segundo que nunca mais se repete. Tocando você tem a exata dimensão disso, quando vê as notas se sucedendo uma após a outra. Se erra, não há mais como consertar. Porque a vida é assim. Não é possível fazer rascunho. Você simplesmente vive.

Ver aqueles olhinhos ansiosos, todos - dos músicos em direção às partituras; da platéia em direção a eles - me fez lembrar que uma única música é a história de muitas histórias. Do compositor, que viveu uma emoção e quis passá-la; dos músicos, que estudam a vida inteira pra viver apenas aquele momento; dos luthiers, que fabricam cada pecinha, de cada instrumento, com uma preciosidade infinita; de toda a equipe técnica que se lembra do copo d'água, do lenço, do calor, da posição do instrumento, do telefonema; da platéia que se emociona, que vibra junto, que participa de cada minuto com seus pensamentos, seus corpos, sua respiração suspensa, suas lágrimas. Derramei (discretamente) algumas lá.  Porque eu sou cantora mas o meu amor é pela música de modo geral, e eu sou capaz de amar aquilo ali como sou capaz de amar qualquer coisa que eu cante ou que veja os alunos executando. É mesmo um maravilhamento. :)

O violinista foi preciso. Minucioso. Trabalhou cada pianissimo com os meninos. Os pianistas deram seus toques tão particulares e únicos: César Camargo com um balanço delicioso, tão brasileiro, tão parte de mim. Ricardo Castro com um piano vigoroso, vibrante, intenso, sinfônico, de linguagem absolutamente pianística (se é que posso dizer assim). Emocionante mesmo. 

E lá se vão os meninos da Neojibá gravar seu dvd, dias 8, 9 e 10 de abril. Mais música sendo vibrada no mundo. Mais da única coisa que eu quero na vida: ver a música rolando por aí.

Minha versão camerística: estudando harpa na Escola. Porque eu não gosto de música "popular" ou "erudita"; "boa" ou "ruim" - eu gosto de música.

Eu com a cara gordinha (risos), ao lado de Angélica (a harpa mais linda do mundo).

2 comentários:

nat* disse...

Dropping by to visit! I do wish you'd write in English ): How are you? xx

Carvalho disse...

Oh, Nat, thank you for your visit. I'm working on the idea to write it in English. Wishing you all the luck, always and always. :*