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domingo, 24 de março de 2013

Pradarrum

Hoje foi um dia LINDO!! Estou me sentindo uma deusa do ébano, a luz gloriosa da África. Hiahiahiahi! Brincadeira. Só porque toquei atabaque e fiz uma cuíca! :)

Rolaram umas oficinas super bacanas no Teatro Solar Boa Vista. Tivemos aula de atabaque com Gabi Guedes e de construção de cuíca, com Giba Conceição. Olhem o meu, como ficou lindo:


Eu que fiiiiiz!!! (E estou aqui com o dedo queimado. Argh!)

Depois...puxa vida, teve esse show lindíssimo de Gabi: o Pradarrum. Ele juntou toques de percussão do candomblé com uns arranjos muito lindos do filho dele, Felipe Guedes. Pegadas de jazz, salsa e até rock. Juntou excelentes músicos de tradição na música instrumental (Ldson e Marcelo Galter, Tito Oliveira, Ito Bispo) e, junto com Giba Conceição...putz, a-r-r-a-s-o-u!

Gostei que Felipe não fez esforços pra adaptar a guitarra ao instrumento principal do show, obviamente, a percussão. Ao contrário, deixou a guitarra no seu papel, executando trechos dentro da linguagem guitarrística mesmo. Isso fez a percussão se destacar e ficar ainda mais linda. Não gostei muito do trecho que ficou mais rock'n roll, porque tampou um pouco toda a percussão, mas...era um solo. Por um momento, foi bom.

Ficaram lindas as dobras do piano com a guitarra. Perfeitas. Simétricas. Muitas vezes complementares. Quando Ito dobrava com o sax...ficava assustadoramente encorpado. Harmonia segurando bem a onda, pra percussão ficar à vontade e solar. O show constou de uns 5 ou 6 temas, todos inspirados em orixás e na cultura do candomblé: Encruzilhada, Canto para Mãe Senhora, um tema inspirado em Oxalá, Guede's Groove (risos). Ana Paula Albuquerque fez uma participação tão linda e forte e cheia de sentimento. Foi lindo revê-la. Assim. :)

Fantástico usar as tradicionais claves da percussão: em 3-2 e 2-3, segurando a onda para acordes super jazzísticos e improvisatórios, como Marcelinho fez. Graças a Deus o baixo era de Ldson, porque estava muito alto na equalização, mas ele soube baixar e deixar naquele lugar agradável e audível. Ele fez um ou dois solos muito lindos, como sempre, mas gostei particularmente dos grooves que criou. Adequados, seguros, dançantes e se encaixando de um jeito tão complementar à percussão, que era quase parte dela. Tito também segurou tudo muito bem, com aqueles dois percussionistas quebrando tudo nas claves mais complicadas. Não curti muito o solo dele, somente. Achei pouco explorado, na verdade.

Falar o quê de Gabi? Hihihi, é aquela figura que todo mundo já sabe. Fala o que tem vontade, toca o que sente e como quer. Achei as composições dele muito, muito criativas mesmo. Os arranjos de Felipe fizeram tudo ficar muito mais especial, mas estava claro o que ele fez. A matriz rítmica estava toda lá. Reconheci minha Bahia no meio daquele jazz. Foi muito lindo mesmo. E ele fica à vontade nos improvisos, né? Gostei especialmente de um que ele fez nas congas, sentado. Me senti num túnel do tempo, no meio de uma senzala, com aquele Solar todo escuro.

A iluminação foi tão boa, avermelhada, principalmente, sobre o cenário, cheio de detalhes e desenhos geométricos, de estampas africanas (vejam a a foto). Muito bonito, transportável, num material meio orgânico (assim parecia. madeira?). Puxa, mas quero mesmo é falar de Giba. (sorriso) Eu fiquei BESTA com ele tocando. Uma parceria silenciosa, harmoniosa, de total apoio ali a Gabi. Uma energia forte, alegre, mesmo quando estava sério. Uns efeitos lindos, em pequenos detalhes. Uns solos groovados - diferentes dos de Gabi, mais "enlouquecidos".

Enfim, estou extasiada. Que dia lindo! Adorando toda essa movimentação no Solar também. Já não era sem tempo! :D


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