Rolaram umas oficinas super bacanas no Teatro Solar Boa Vista. Tivemos aula de atabaque com Gabi Guedes e de construção de cuíca, com Giba Conceição. Olhem o meu, como ficou lindo:
Eu que fiiiiiz!!! (E estou aqui com o dedo queimado. Argh!)
Depois...puxa vida, teve esse show lindíssimo de Gabi: o Pradarrum. Ele juntou toques de percussão do candomblé com uns arranjos muito lindos do filho dele, Felipe Guedes. Pegadas de jazz, salsa e até rock. Juntou excelentes músicos de tradição na música instrumental (Ldson e Marcelo Galter, Tito Oliveira, Ito Bispo) e, junto com Giba Conceição...putz, a-r-r-a-s-o-u!
Gostei que Felipe não fez esforços pra adaptar a guitarra ao instrumento principal do show, obviamente, a percussão. Ao contrário, deixou a guitarra no seu papel, executando trechos dentro da linguagem guitarrística mesmo. Isso fez a percussão se destacar e ficar ainda mais linda. Não gostei muito do trecho que ficou mais rock'n roll, porque tampou um pouco toda a percussão, mas...era um solo. Por um momento, foi bom.
Ficaram lindas as dobras do piano com a guitarra. Perfeitas. Simétricas. Muitas vezes complementares. Quando Ito dobrava com o sax...ficava assustadoramente encorpado. Harmonia segurando bem a onda, pra percussão ficar à vontade e solar. O show constou de uns 5 ou 6 temas, todos inspirados em orixás e na cultura do candomblé: Encruzilhada, Canto para Mãe Senhora, um tema inspirado em Oxalá, Guede's Groove (risos). Ana Paula Albuquerque fez uma participação tão linda e forte e cheia de sentimento. Foi lindo revê-la. Assim. :)
Fantástico usar as tradicionais claves da percussão: em 3-2 e 2-3, segurando a onda para acordes super jazzísticos e improvisatórios, como Marcelinho fez. Graças a Deus o baixo era de Ldson, porque estava muito alto na equalização, mas ele soube baixar e deixar naquele lugar agradável e audível. Ele fez um ou dois solos muito lindos, como sempre, mas gostei particularmente dos grooves que criou. Adequados, seguros, dançantes e se encaixando de um jeito tão complementar à percussão, que era quase parte dela. Tito também segurou tudo muito bem, com aqueles dois percussionistas quebrando tudo nas claves mais complicadas. Não curti muito o solo dele, somente. Achei pouco explorado, na verdade.
Falar o quê de Gabi? Hihihi, é aquela figura que todo mundo já sabe. Fala o que tem vontade, toca o que sente e como quer. Achei as composições dele muito, muito criativas mesmo. Os arranjos de Felipe fizeram tudo ficar muito mais especial, mas estava claro o que ele fez. A matriz rítmica estava toda lá. Reconheci minha Bahia no meio daquele jazz. Foi muito lindo mesmo. E ele fica à vontade nos improvisos, né? Gostei especialmente de um que ele fez nas congas, sentado. Me senti num túnel do tempo, no meio de uma senzala, com aquele Solar todo escuro.A iluminação foi tão boa, avermelhada, principalmente, sobre o cenário, cheio de detalhes e desenhos geométricos, de estampas africanas (vejam a a foto). Muito bonito, transportável, num material meio orgânico (assim parecia. madeira?). Puxa, mas quero mesmo é falar de Giba. (sorriso) Eu fiquei BESTA com ele tocando. Uma parceria silenciosa, harmoniosa, de total apoio ali a Gabi. Uma energia forte, alegre, mesmo quando estava sério. Uns efeitos lindos, em pequenos detalhes. Uns solos groovados - diferentes dos de Gabi, mais "enlouquecidos".
Enfim, estou extasiada. Que dia lindo! Adorando toda essa movimentação no Solar também. Já não era sem tempo! :D
