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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Renúncia de Mubarak




Poxa, política é um negócio que muito me interessa. Não sei se vocês compreendem o que penso, mas acho que posicionamentos políticos, afetos pessoais, admirações em outras áreas artísticas e mesmo o estado do corpo influenciam na produção musical, nas composições e até, quem sabe, na qualidade técnica das interpretações. Eu acho. Afinal...é um corpo inteiro que vai para o palco, com toda a sua caminhada, suas deficiências, potencialidades e limitações. Por isso coloco aí ao lado pra vocês o que ando vendo, escutando, consumindo...Não é pra fazer nenhuma propaganda (apesar de eu saber que acabo fazendo), mas apenas pra vocês saberem em que ambientação cultural estou.

E nesse momento eu ando acompanhando como todo mundo as revoluções no Egito e demais países muçulmanos. E acabei de assistir no jornal que Mubarak renunciou. Uuuh, fiquei tão empolgada e feliz, vendo toda aquela gente na praça central do Cairo. 14 milhões de pessoas!! É a megalópole paulistana mais o município do Rio de Janeiro de gente, já pensou? Todo mundo festejando a conquista popular.


Sim, pode-se dizer uma conquista popular! Apesar do posicionamento das forças armadas ter sido a cartada decisiva para a mudança de Mubarak, apesar de toda a pressão da comunidade internacional (especialmente na "pessoa" dos EUA), foi uma conquista popular sim, na medida em tudo começou a tomar corpo com a mobilização dos jovens através da internet.

Para além das minhas opiniões pessoais sobre estados democráticos e ditaduras, não posso parar de me estupefar diante do poder da internet; da influência da rede enquanto formadora e disseminadora de opiniões e da total inclusão do mundo digital em nossas vidas. Segundo pesquisas, mais de 60% da população brasileira já acessa pelo menos semanalmente a internet, seja através de computadores domésticos (muito pouca gente ainda, nem 20%), escolas, pontos de inclusão digital mas, principalmente, lan houses. A periferia tem explodido com o fenômeno das lan houses e eu acho isso fantástico! Gera emprego, cultura, inclusão, informação, confusão e agito nos bairros! (risos) Dá pra qualquer jovem ribeirinho lá do Amazonas saber que eu existo e ouvir minhas músicas, imagine pensar que jovens como eu e você começaram um movimento que derrubou um presidente!!! :O

Ok. Quem tiver perto da minha idade vai lembrar do impeachment de Collor. Derrubamos um presidente. Ok. Tantos interesses, tantas pinturas...Mas está aí, o presidente foi derrubado e o movimento entrou pra história. Acho a situação do Egito diferente. Claro, por se tratar de outro país, outra cultura (muito mais fechada), outro momento (o mundo muito mais aberto), mas...tudo começou com a comunicação através da rede e, de forma estranha, faz com que eu, internauta também, me sinta incluída nesse momento histórico.

Preciso - preciso mesmo! - dar uma vaia particular à intromissão dos EUA nas decisões do Egito. Enquanto as ditaduras são convenientes economicamente, eles apóiam e "permitem". Quando não são mais, usam esse discurso falso moralista de que a democracia é a melhor (a única?) opção de governo para qualquer povo. E não me venham falar de boas intenções. Hunf! De boas intenções, vocês já sabem, o inferno está cheio, que dirá o Mundo Muçulmano.

Noto com pesar ainda a grande ausência das mulheres. Abaixo fotos de modelos defendo o direito de escolher o uso ou não do hijab, o polêmico lenço usado pelas muçulmanas.

Um comentário:

eric _ disse...

Trocando em Miúdos...

O "Barack" Americano pede a renúncia do "Mubarak" Egípcio.

Sonora coincidência?

rs