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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Salve, Família!




Essa semana tá rolando a I Semana Baiana de Hip Hop.

E aí o Slim Rimografia falou, como outros tantos, que o Hip Hop é "estilo de vida". Mas ele disse também: "A missão do Hip Hop é mudar a vida das pessoas." Devo dizer então que o Hip Hop cumpriu sua missão comigo: a minha vida mudou completamente depois dele.

Muita gente não sabe, mas eu fiz parte da primeira banda feminina de Hip Hop do Norte Nordeste (até onde a gente sabe): lá pelos idos de 1998-1999. O Grito. Sim, eu cantava rap! E amo rap até hoje.

Por algumas questões polêmicas que não quero falar hoje, me afastei do Movimento. Mas mantive amigos, hábitos de vida e de consumo que adquiri então.

Hoje, nesta semana linda que está acontecendo - sonho de tantos anos, de tanta gente - quero dizer em quê o Hip Hop mudou a minha vida. E vocês vão ver o quanto foi abalante.

Foi por causa do Hip Hop que eu...

1)...decidi ser musicista profissionalmente. Eu já amava música e achava que queria trabalhar com isso. Mas o que eu conhecia de música profissional era só gente cantando sexo e, os mais inteligentes, o amor. E eu queria falar dos problemas da sociedade. Eu queria falar de sentimentos que a gente não confessa pra ninguém. Como fazer isso sem ser chato, panfletário, quiçá religioso? O Hip Hop me mostrou que era possível, que era legal, que dava pra dançar e falar coisas inteligentes. E cá estou eu.

2)...me interessei por questões de gênero. Eu não entendia como aquilo era tão bom, mas só tinha meninos envolvidos. Por quê? E fui questionando isso e entendendo o papel que a sociedade fez a mulher achar que era dela. E fui entendendo que o machismo dói, tanto em nós quanto nos homens. E passei a estudar o tema. Participei de grupo de pesquisa sobre gênero no Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher. Dei início ao GT de Gênero no Conselho de Psicologia junto com algumas colegas, uma delas que veio a falecer e esse GT aproximou muito a gente, e eu pude aproveitar bastante a presença dela nos últimos tempos. E hoje estou envolvida num grupo de pesquisa sobre Gênero e Música e, caso eu enverede pela área acadêmica, tenho certeza que esse tema estará presente de algum modo.



3)...me interessei por técnica em áudio. Foi pela dificuldade de gravar as bases pra gente cantar em cima, pela dificuldade de conseguir dj pra tocar com a gente, pela dificuldade de gravar nossas vozes, que eu comecei a me interessar sobre esse misterioso mundo da "gravação". E aí fiz um curso de técnico de áudio (bem amador, mas que me deu alguma noção); comprei um computador bacana quando tive grana e estou aí sonhando com coisas maiores.

4)...resolvi estudar canto. Foi por ficar sem fôlego e por não atingir as notas mais agudas quando cantava rap que procurei estudar técnica vocal mais profundamente. Porque eu achava um absurdo ter tanta coisa pra dizer e não conseguir me expressar por limitações do meu corpo. E resolvi todas elas e fui além, além, além.

5)...me interessei por trabalhos sociais. O que eu conhecia de trabalho social até então era a distribuição de sopa no centro espírita. Então era uma coisa muito voltada à "caridade" e ao pensamento de que "são pessoas carentes". Uma visão totalmente deturpada da realidade brasileira. Conheci gente tão rica! Rica em cultura, tradição, coisas pra dizer, ensinamentos. Eu, que pensava que ia lá "ajudar" - coitada - fui a mais ajudada de todos e desci da minha arrogância de "estudante universitário que sabe de tudo". Hoje eu sei que nunca vou parar de aprender com as pessoas, porque elas são capazes de coisas inacreditáveis (pra bem e pra mal, infelizmente).

6)...me entendi como ser político. Entendi que, quer queira quer não, atuo como cidadã e construo política, onde quer que eu vá. O meu silêncio, minha omissão, já é um ato político. As coisas que escolho cantar, as festas em que vou, os grupos sociais que frequento, até o jeito que paquero são opções políticas. Então hoje estou mais consciente e sei que qualquer coisa que eu faça faz diferença SIM, nem me venham com essa conversa de "uma andorinha só não faz verão". Ô, se faz.

Por isso tudo que, mesmo afastada, nunca achei que tinha "saído" do Hip Hop. Como é que você sai de uma coisa que está dentro de você? Por tudo isso, hoje estou muito feliz, energizada, viva e grata, a meu amigo Rangelino e mais outras figuras que articularam essa Semana de Hip Hop. Está sendo fantástico ver uma gurizada chegando junto, curtindo rap, fazendo rap do bom, se profissionalizando, entendendo o papel social e artístico que vai articulando. Pô, to feliz demais. O meu salve pra toda a Família Hip Hop.



É NÓIS!!




segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Quero ser Joss Stone-vich

Encontrar sua própria identidade é um caminho árduo e delicioso que todo artista passa. Por isso é interessante acompanhar toda a carreira da figura. Você vai vendo as mudanças de estilo, o amadurecimento artístico, novos temas abordados.

Sempre que me disponho a ler um autor, por exemplo, vou fazendo isso: leio seus livros todos. Quando possível, faço isso cronologicamente. Tenho feito isso com Jorge Amado no momento.

Quando começo a escutar um compositor, faço mais ou menos a mesma coisa: vou acompanhando sua discografia; comparando os arranjos; as mudanças de direção musical; os temas sendo abordados em comparação à sua vida pessoal. É muito bom ter tempo pra fazer isso. E se deleitar com cada disco, cada música, cada filme. A arte é linda quando mostra a verdade de cada um.

Mas enquanto você vai encontrando sua verdade, também é necessário passar pela fase da "imitação". Porque você experimenta ser alguém que não é, e nisso, vai se descobrindo. É lindo ver esse desabrochar de sair da imitação para ser você mesmo. =)

Esse, no entanto, é um processo que vai e vem. Não chega um dia que você diz: "Pronto, eis aqui o que sou eu e não recebo mais influência de ninguém." No post de hoje quero me usar do momento "imitação" pra me entender (ou explicar). Vejam então porque QUERO SER JOSS STONE (ou não):




- tocar ritmos tradicionais do meu país de um jeito modernoso e muito meu;
- rodar o mundo e não perder meu sotaque característico;

- ter um cabelo lindo, de comercial de shampoo;
- ter uma banda fantástica e entusiasmada me acompanhando;
- ter um naipe de sopros (que sonho!);
- ter um iluminador que não fica só mudando as cores de vermelho pra azul, mas que efetivamente consegue dar o clima adequado às músicas;
- usar livremente as mais diversas colocações da voz;
- compor músicas lindas e bestinhas, hits de sucesso;
- usar roupas hippies;
- usar a pequena rouquidão da minha voz ao meu favor;
- me divertir e rir muito no palco;
- só olhar pra um lugar do público o show todo;
- dançar deliciosamente;
- estar magra e serelepe;
- ter um tecladista com 5 pianos;
- ter um naipe de backings;
- cantar descalça;
- ganhar presentes da platéia durante todo o show;
- escolher um lugar do mundo pra ser o meu "país preferido pra fazer show";
- tocar uma música sem ensaiar e sair a coisa mais linda de meu Deus.

Tudo isso pra tirar onda (risos) e dizer que "EU FUI NO SHOW DELAAAAA"!!!!!! E que foi gorgeous...gorgeous! (E que eu, como sempre, assisti como uma grande aula.)